Notícia publicada em 08/11/2019 | 18:40

Um desastre que mobilizou o estado na proteção do litoral

O painel que debateu os “Impactos socioeconômicos e ambientais do óleo na costa Pernambucana” foi um dos destaques da programação da Conferência Brasileira do Clima nesta sexta-feira (08), no auditório do Arcádia Paço Alfândega, no Recife Antigo. O evento contou com as presenças do economista da Universidade Federal de Pernambuco, Clóvis Cavalcanti, da pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, Beatriz Mesquita e da professora do departamento de oceanografia da UFPE, Beatrice Padovani, com mediação da secretária executiva de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, Inamara Mélo.

A representante da Semas destacou a atuação do Governo do Estado no enfrentamento às manchas de óleo, um crime ambiental cometido em águas de jurisdição federal, que atingiu Pernambuco e os demais estados do Nordeste brasileiro, desde o dia 30 de agosto. Ao todo, 48 praias e oito estuários de 13 municípios do estado foram impactados pela presença dos resíduos.

Ação em defesa do meio ambiente – Uma equipe de 400 pessoas foi mobilizada pelo Estado, com participação de diversos órgãos. Com o apoio de uma rede de voluntários, houve a participação de grupos que se deslocaram para as praias, mangues e rios atingidos, atuando na remoção do petróleo cru. Participaram das ações a sociedade civil organizada, academia, ONGs ambientalistas e empresas que, junto com pescadores e moradores locais, realizaram grandes mutirões, fazendo valer o lema que se propagou nas redes sociais: “se chegar, a gente limpa”.

Passados 68 dias do desastre, ainda há registro da chegada de novos fragmentos de óleo nas praias, de acordo com as equipes da Semas e da Agência CPRH. Os casos mais recentes ocorreram no dia 04 de novembro, nas praias de Gaibu, Boca da Barra - Estuário do Rio Mamucabas, localizadas ao sul do estado, além de Atapuz, Ilha de Itapessoca, Pontal da Ilha de Itamaracá, Janga, Pau Amarelo e Maria Farinha, no Litoral Norte e na Região Metropolitana do Recife.

Para Inamara Mélo, a ocorrência do desastre provocado pelo óleo em Pernambuco e no Nordeste, que ainda não cessou, sinaliza para a necessidade de criação planos de médio e de longo prazos, não só para combater em nível local os impactos que as manchas provocaram nos ecossistemas costeiros, mas também no apoio às ações globais de enfrentamento às mudanças climáticas.

“É possível também firmar pactos com a sociedade e o setor privado, com o objetivo de reduzir os índices de emissão dos gases do setor energético, além de reforçar o aumento da geração das energias mais limpa, como forma de enfrentamento às mudanças no clima”, ressaltou.

“As atividades econômicas e sociais que estão sendo impactadas com esse desastre estão diretamente ligadas ao turismo e ao segmento pesqueiro. No mundo, 90% da produção pesqueira é realizada por pescadores artesanais e, aqui no Estado, 100% dessa produção é realizada pelas comunidades”, assegurou Beatriz Mesquita, da Fundaj.

Já a pesquisadora e professora de biologia do departamento de oceanografia da UFPE, Beatrice Padovani, alertou sobre os impactos do óleo nos ecossistemas manguezal e de recifes de corais.

“O óleo mais pesado em contato com os organismos da fauna e da flora provoca sufocamento dos recifes e das espécies de mangue, mas existe uma parte leve do petróleo, que pode alterar a reprodução, o comportamento e o desenvolvimento desses organismos”, frisou Padovani.

O economista Clóvis Cavalcanti, apresentou uma visão do modelo econômico atual que conduz a situações extremas, como o desastre ocorrido no litoral pernambucano.

“Tal crescimento está ameaçando a capacidade da terra de sustentar a vida. Hoje estamos na iminência de um desastre ambiental global. tudo isso para alimentar o crescimento econômico e o consumo”, advertiu.

Texto: Flávia Cavalcanti
Fotos: Lu Rocha – Semas/PE