Notícia publicada em 08/11/2019 | 18:16

Especialistas debatem estímulo à agricultura sustentável para mitigar as mudanças do clima

   

 

No último dia da Conferência Brasileira de Mudança do Clima, o papel e a importância da agroecologia no desenvolvimento social e econômico do país entrou na pauta de debates. O painel “Agricultura Sustentável, uma transição justa com trabalho decente para um modelo de desenvolvimento sob a ótica dos movimentos do campo”, realizado na manhã desta sexta (08), no Arcádia do Paço Alfândega, contou com a participação de representantes de instituições não-governamentais, academia e do setor público.

Para o coordenador do Centro de Desenvolvimento Agroecológico e da instituição Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Alexandre Henrique Pires, a questão da mudança climática está diretamente associada ao estímulo da agricultura agroecológica em consonância com o desenvolvimento econômico. “O último censo revela que a agricultura representa 70% dos postos de emprego no campo. Por isso, o estímulo ao setor com base agroecológica eficiente é uma das melhores estratégias de combate as mudanças climáticas. As políticas públicas precisam adequar as especificidades locais, como as do Semiárido, por exemplo, que destaquem a agricultura como produtora de alimentos, recarga do lençol freático, recuperação da biodiversidade, ações necessárias a mitigações das mudanças do clima”, disse Pires.

Aristides Veras, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), destacou ser “necessário que os governos locais prestem atenção à agricultura agroecológica, além dos projetos municipais e estaduais levarem em consideração a sustentabilidade política, econômica e ambiental”.

“Falar em agroecologia é incluir solidariedade e coletividade, porque com o modelo de economia atual você não tem esses dois fatores incluídos. E, é preciso considerar políticas públicas que respeitem a agroecologia, uma vez que ela cuida da terra e alimenta o mundo”, complementou Cícera Nunes Cruz, presidenta da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco (Fetape).

Participaram também do debate Gilmar Mauro, dirigente do MST; Andrea Neiva, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), professora da rede municipal de ensino e mestranda em educação do campo no CFP/UFRB, e Francisco de Oliveira, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).  

Fotos: Lu Rocha (Semas – PE)