Notícia publicada em 22/10/2019 | 16:00

Para onde vai o óleo retirado das praias?

 

Fiscais da área de resíduos sólidos da Agência CPRH acompanharam, em Igarassu, a chegada do material recolhido ao aterro industrial classe 1, licenciado para receber resíduos perigosos

Técnicos da diretoria de controle de fontes poluidoras da Agência CPRH realizaram, nesta terça-feira, 22/10, em Igarassu, uma visita técnica ao aterro sanitário industrial que está recebendo desde sábado (19), o óleo que vem sendo retirado das praias pernambucanas, devido ao maior desastre ambiental em extensão que se tem registro no Brasil, atingindo todos os estados do Nordeste, além de cinco municípios Pernambucanos (São José da Coroa  Grande, Barreiros, Tamandaré, Rio Formoso, Sirinhaém, Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho). O objetivo foi acompanhar a forma de armazenamento e o tratamento que é dado aos resíduos de petróleo de origem não identificada, para posterior reutilização ou destinação adequada. Até hoje, a empresa já havia recebido 489 toneladas do material.

Para Alberto Ribeiro, analista ambiental e chefe do setor de fiscalização de resíduos da CPRH, este tipo de aterro é projetado para receber resíduos classificados pela legislação ambiental como perigosos, como é o caso do óleo cru, cujas características ainda não conhecemos. “Todo resíduo oleoso tem, na sua composição, substâncias químicas que podem causar danos à saúde, como erupções na pele, problemas respiratórios e na visão. É por isso que é necessário um cuidado redobrado com a sua destinação”, ressaltou.

Segundo o diretor técnico do Ecoparque Pernambuco (antigo CTR Pernambuco), Laércio Chaves, “o aterro industrial ou classe 1 precisa ter um preparo prévio, formado por cinco camadas de mantas de impermeabilização nas células (espécie de valas abertas para receber o material), de forma a proteger totalmente o solo e não permitir que haja vazamento de óleo ou de qualquer outro tipo de resíduo para o solo”, explicou.

Além da destinação ambientalmente adequada dos rejeitos, aquele resíduo que não pode mais ser reciclado, a empresa também realiza, através da Repet Reciclagem, o tratamento e a venda dos resíduos industriais coprocessados, como é o caso do óleo retirado da praia. O material passa por um processo de blendagem, ou seja, separação do resíduo oleoso de outros tipos de resíduos, como plástico e papel. Depois passa por trituração, até que ele chegue a uma granulação que atenda à demanda da indústria. O resultado é um produto conhecido como “blend energético”, que é utilizado como combustível nas caldeiras, para a fabricação de cimento.


Texto: Flávia Cavalcanti  
Fotos: Lu Rocha – Semas/PE